Uma Chuva e o Caos Imperam no Rio de Janeiro
Posted By Vinicius Farias on 22 de janeiro de 2009
Não é mais novidade o caos que as chuvas fazem nas grandes cidades. Na capital do Rio de Janeiro a chuva foi mais uma vez responsável por transformar tudo em desordem. As pessoas se viram obrigadas em transformar tudo que é errado em certo. As pessoas se viram pressionadas em utilizar as calçadas como ruas e ruas como calçadas. As placas de sentido obrigatório tiveram que ser ignoradas pelos motoristas e o trânsito foi automaticamente mudado na marra mesmo. Não tinham autoridades, guardas de trânsito ou qualquer um que pudesse impor alguma lei ou ordem perante as pessoas que desesperadas procuravam abrigos ou pelo menos algum lugar que trouxesse uma tranqüilidade mínima.
Pontos de ônibus lotados, bares entupidos de pessoas e água transbordando, ruas que viraram rios, ônibus demorando umas 4 horas para fazer um percurso em que normalmente faria em uns 40 minutos. As pessoas queriam chegar em suas casas o mais rápido possível para descansar um pouco e esperar o próximo dia chegar, mas era quase impossível passar pelos obstáculos que a natureza, a prefeitura e o governo estadual nos impôs neste dia de chuva.
Triste mesmo é saber que no próximo ano, senão, neste mesmo ano que ainda estamos, veremos coisas do mesmo tipo acontecerem e nada será feito pelas prefeituras de lugar nenhum. Coisas assim acontecem todos os anos, e infelizmente já estamos ficando experientes em nos defender destas armadilhas.
Temos que torcer para que a gente possa chegar bem em nossas casas sempre que observarmos as nuvens se agrupando e vindo em nossa direção. Vamos pedir a Deus a proteção necessária, e vamos rezar e pedir para que os responsáveis pela ordem e pelas ruas que caminhamos estejam trabalhando na prevenção de um novo caos.
E na próxima chuva, seja o que Deus quiser!!!
Um texto para vc.
A Copa da Leviandade
JANIO DE FREITAS
Se o custo fosse R$ 35 bilhões, equivaleria a mais de duas vezes o Orçamento da Educação
PREFEITOS de capitais e respectivos governadores estão empenhados em uma competição nunca ocorrida por aqui.
Para todos os ouvidos públicos, dizem tratar-se da disputa pela inclusão de sua capital entre as 12 que sediarão jogos da Copa do Mundo no Brasil, em 2014.
A verdade é um pouco menos modesta do que os prefeitos e governadores.
A conquista que eles buscam é incluir-se entre os 12 prefeitos e outros tantos governadores que vão estourar os cofres e muito futuro de suas capitais, e se necessário os dos Estados também, em benefício de sua popularidade eleitoral.
A Copa do Mundo é precedida pela Copa da Leviandade, promovida pelo governo Lula.
A estimativa de custo da Copa entregue a Lula no meio da semana, por suas eminências Joseph Blatter e Ricardo Teixeira, duas riquezas do peleguismo futebolístico que presidem a Fifa e a CBF, refere-se a R$ 35 bilhões calculados pela Fundação Getúlio Vargas.
Se o custo fosse aquele, equivaleria a duas vezes e mais 30% de todo o Orçamento para a Educação como será apresentado, amanhã, na reunião ministerial. Ou quase nove vezes o Orçamento para Ciência e Tecnologia.
Sabe-se, porém, que estimativas de custo de obras, no Brasil, são o que há de mais consagrado na ficção brasileira.
Bem, saber, não se sabe: vê-se.
Uma das batalhas de Juca Kfouri, a um só tempo inglórias e gloriosas, é a cobrança do relatório do Tribunal de Contas da União sobre o custo, e as mágicas que o fizeram, do Pan no Rio em 2006.
Dinheiro do Ministério do Esporte, da Prefeitura do Rio e do governo fluminense.
Pois nem o TCU cumpre o mínimo dever legal e público de divulgar suas constatações, quanto mais os que torraram, entre aplicações e divisões, o dinheiro público em que estimativas de R$ 50 milhões chegaram, na realidade, a dez vezes o estimado.
Sem explicação.
O que não se sabe, vê-se.
O Rio, há muito maltratado, foi abandonado de todo, para a prefeitura pagar o saldo de seus gastos e remendar as contas durante dois anos e meio, como prevenção parcial do risco de inquéritos e processos na sucessão.
Isso em uma capital com os recursos do Rio.
Uma cidade como Natal, cujo encanto não se traduz em dinheiro sequer em proporção aproximada, diz o noticiário que está gastando R$ 3,5 milhões só para engambelar a apresentação de sua candidatura.
Propõe-se a construir um estádio, com projeto encomendado na Inglaterra, de custo estimado em R$ 300 milhões.
Digamos, contra tudo, que a estimativa seja exata.
A cidade e a população de Natal não têm carências inatendidas até hoje por falta de R$ 300 milhões?
Na concepção eleitoreira e rentável, a continuidade, pelo tempo afora, das carências de Natal e das outras capitais de menor riqueza é compensada por três ou quatro jogos das oitavas da Copa.
O plano da cidade de São Paulo é exuberante.
São Paulo pode.
Mas seria interessante saber por que os bilhões paulistas, que entusiasmam o prefeito Gilberto Kassab ao se referir às obras para a Copa, não lhe dão o mesmo entusiasmo para usá-los, por exemplo, em obras corajosas que humanizem o neurotizante trânsito paulistano.
Das pequenas capitais à potência de São Paulo, só as quantias variam.
O desprezo pelas cidades e suas populações, presentes e futuras, é o mesmo.
Expresso na Copa das Leviandades.